Mensagem de Dom Dulcênio por Ocasião do Dia do Padre e em Alusão ao Centenário de Dom Luís Fernandes
A Igreja celebrou, neste 4 de agosto, a memória de São João Maria
Vianney, padroeiro dos sacerdotes. Na Diocese de Campina Grande, o clero
diocesano reuniu-se em torno do Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos,
para a celebração da Santa Missa em ação de graças pelo Dia do Padre.
A celebração, realizada no Seminário Diocesano São João Maria
Vianney, foi marcada também pela memória do centenário de nascimento de Dom
Luís Gonzaga Fernandes, quarto bispo da Diocese de Campina Grande, cujo
testemunho pastoral permanece vivo na história desta Igreja Particular.
Por ocasião deste momento celebrativo, Dom Dulcênio compartilhou
uma mensagem aos sacerdotes e a todo o povo de Deus, destacando a beleza da
vocação sacerdotal e o legado deixado por Dom Luís Gonzaga Fernandes.
A mensagem
Dom Dulcênio recordou o quarto bispo da Diocese de Campina Grande como
exemplo de fé, comunhão e serviço, cujo legado permanece vivo na Igreja
Particular.
“Se estivesse entre nós, Dom Luis completaria cem anos de vida.
Deus permitiu que a sua memória permanecesse viva não apenas nas páginas da
história, mas sobretudo no coração deste povo que ele tanto amou. Escolheu como
lema episcopal: “Em Cristo Jesus”. Não foi apenas uma frase, mas um programa de
vida. Tudo o que realizou nasceu de sua profunda união com Cristo”, disse.
Refletindo sobre o sacerdócio, o bispo recordou as quatro palavras
deixadas por Dom Luís no Jubileu dos 50 anos da Diocese, apresentando-as como
um itinerário para a vida dos presbíteros.
“Hoje, olhando para cada sacerdote desta Diocese, vejo nessas
quatro palavras um verdadeiro itinerário de vida sacerdotal. Fazer memória
é voltar ao primeiro chamado; agradecer é reconhecer que tudo é graça; converter-se
é compromisso diário; E missão é compreender que fomos enviados”,
refletiu.
Ao recordar o legado de Dom Luís, destacou sua dedicação às
comunidades, aos leigos e à formação sacerdotal, evidenciando a reabertura do
Seminário Diocesano como uma iniciativa providencial para o fortalecimento das
vocações.
“Dom Luis também deixou sua marca nesta casa onde hoje celebramos.
Foi ele quem reinaugurou o nosso Seminário Diocesano, que continua formando
novas gerações de sacerdotes para a Igreja. Este lugar continua sendo um
verdadeiro berço de esperança para a nossa Diocese”.
Concluindo, Dom Dulcênio incentivou os sacerdotes a perseverarem
na comunhão com Cristo e com a Igreja, sem perder a alegria da vocação. E confiou
o ministério de todos à intercessão de São João Maria Vianney.
“Não caminhemos sozinhos. Caminhemos em comunhão. A comunhão que
Dom Luis tanto cultivou continua sendo o caminho seguro para a nossa Diocese.
Unidos ao nosso povo, sustentados pela oração e iluminados por Cristo, jamais
seremos cegos conduzindo cegos, mas discípulos conduzidos pelo Bom Pastor”,
terminou.
Confira a Mensagem na íntegra
Celebrar este dia é elevar o nosso coração em ação de graças.
Hoje, na memória de São João Maria Vianney, o Cura d'Ars, patrono dos
sacerdotes e padroeiro do nosso Seminário Diocesano, reunimo-nos para celebrar
o Dia do Padre. Esta celebração ganha um significado ainda maior ao fazermos
memória do centenário de nascimento de Dom Luis Gonzaga Fernandes, quarto bispo
da Diocese de Campina Grande, que a conduziu entre 1981 e 2001 e deixou marcas
profundas na história desta Igreja Particular.
Após sua páscoa definitiva, Dom Luis foi sepultado em frente ao
altar de Santa Teresinha do Menino Jesus, na Catedral Diocesana de Nossa
Senhora da Conceição. Hoje, seus restos mortais repousam na cripta da Catedral,
permanecendo entre nós como sinal de um pastor cuja vida continua inspirando
esta Igreja. Seu túmulo é lugar de memória, oração e gratidão.
Se estivesse entre nós, Dom Luis completaria cem anos de vida.
Ordenado sacerdote no dia 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição,
escolheu como lema episcopal: Em Cristo Jesus. Mais do que um lema, foi o
programa de toda a sua vida.
Ao celebrarmos o Dia do Padre, recordamos um homem que viveu
intensamente o sacerdócio antes mesmo do episcopado. Sua vida nos ensina que
ninguém é padre para si mesmo. Somos chamados por Deus e enviados ao seu povo.
O sacerdócio é dom, responsabilidade, serviço e entrega.
Conhecido como o bispo da comunhão, Dom Luis tinha um olhar atento
para as comunidades, os leigos e os mais pobres. Incentivou as Comunidades
Eclesiais de Base, fortaleceu a participação dos leigos e mostrou que a Igreja
se constrói na comunhão e na participação.
Foi sob seu pastoreio que celebramos, em 1999, o Jubileu dos
cinquenta anos da Diocese. Naquela ocasião, deixou-nos quatro palavras que
continuam iluminando nossa caminhada: memória, agradecimento, conversão e
missão. Essas quatro palavras continuam sendo um verdadeiro itinerário para a
vida sacerdotal.
Fazer memória é recordar o primeiro chamado, quando o Senhor
pronunciou nosso nome e nos conduziu ao seminário, casa de formação, oração e
discernimento.
Agradecer é reconhecer que tudo é graça. Mesmo diante das
dificuldades, continuamos afirmando com alegria: vale a pena ser padre.
Converter-se é compromisso de cada dia. O sacerdote jamais deixa
de permitir que Cristo transforme o seu coração.
E missão é compreender que fomos enviados. Não somos donos da
Igreja nem do Evangelho; somos servidores de Cristo.
Recordo, com gratidão, que a organização do Jubileu dos cinquenta
anos da Diocese contou com a dedicação do então Padre Genival Saraiva, hoje
bispo emérito, cuja presença entre nós muito nos alegra.
Dom Luis também marcou esta casa ao reinaugurar o nosso Seminário
Diocesano, que continua formando sacerdotes para servir ao povo de Deus e
permanece como verdadeiro berço de esperança para nossa Diocese.
Queridos padres, permitam-me uma palavra muito pessoal.
Depois de mais de quatro décadas de sacerdócio, posso dizer com
alegria: sou feliz por ser padre. A felicidade do sacerdote nasce da certeza de
pertencer a Cristo e de servir ao seu povo.
Recentemente, o Papa Leão XIV recordou que a identidade do padre
depende da união com Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote. A missão é de Jesus;
nenhum de nós é chamado a substituí-Lo. Não somos perfeitos, mas precisamos ser
críveis, deixando Cristo transparecer em nossa vida.
Nossa missão se resume em três grandes tarefas: anunciar o
Evangelho, santificar o povo de Deus e conduzir a comunidade. O sacerdócio se
constrói diariamente na intimidade com Deus, na comunhão com a Igreja e na
fidelidade ao ministério.
Nesta querida Diocese de Campina Grande, vocês, padres, são meus
primeiros colaboradores. Nunca percam a alegria de ser sacerdotes. O mundo muda
rapidamente, mas Cristo permanece o mesmo. Não deixem que o cansaço apague o
entusiasmo da primeira vocação.
Peçamos ao Senhor que sejamos santos e dedicados pastores do povo
cristão. O povo espera de nós homens de Deus, capazes de rezar, acolher,
escutar e caminhar ao lado de seu rebanho.
Que São João Maria Vianney interceda por todos os sacerdotes. Que
o testemunho de Dom Luis Gonzaga Fernandes continue inspirando nossa Diocese. E
que Nossa Senhora da Conceição nos conserve sempre fiéis à vocação que
recebemos. Assim seja.
