Dom Dulcênio Preside Missa na Comunidade Nossa Senhora da Conceição do Rio, em Santa Cecília

Postado em 07/03/26 às 21:4410 minutos de leitura49 views

O Bispo Diocesano de Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes de Matos, presidiu a Santa Missa na comunidade Nossa Senhora da Conceição do Rio, pertencente à Paróquia dos Mártires São Severino e Santa Cecília, no município de Santa Cecília. Esta foi a primeira vez que o bispo diocesano celebrou na comunidade, ocasião vivida com alegria e grande participação dos fiéis.

A capela de Nossa Senhora da Conceição do Rio é considerada uma das mais antigas da região e mantém uma forte devoção popular, reunindo devotos não apenas da comunidade local, mas também de cidades vizinhas. Todos os anos, no dia 8 de dezembro, a festa em honra à Imaculada Conceição atrai cerca de cinco mil pessoas que visitam o local ao longo do dia para momentos de oração e devoção.

Entre as expressões de fé ligadas à capela está a tradicional Caminhada do Romeiro, realizada desde 2014. Na ocasião, devotos saem ainda de madrugada do centro de Santa Cecília, bem como de comunidades rurais e municípios próximos, percorrendo cerca de 18 a 20 quilômetros até a capela, em um gesto de fé e penitência.

Localizada no Sítio Conceição do Rio, próximo às margens do Rio Paraíba, a capela recebeu dezenas de fiéis para a celebração presidida por Dom Dulcênio, que foi vivida com profunda fé e devoção pela comunidade.

A Eucaristia foi concelebrada pelo Administrador Paroquial, Frei Givaldo, que acolheu o Bispo Diocesano e expressou, em nome de toda a comunidade paroquial, a alegria e gratidão pela presença do pastor naquele local pela primeira vez, destacando o momento como histórico e marcante para toda a paróquia.

Homilia

Na caminhada quaresmal, após o deserto e a montanha, Jesus conduz a humanidade ao poço, cenário do Evangelho da Samaritana e centro da reflexão do III Domingo da Quaresma.

Dom Dulcênio destacou que a água se torna o grande símbolo deste domingo, representando a graça de Deus capaz de saciar a sede mais profunda do ser humano. A passagem do Evangelho de São João revela a riqueza espiritual do encontro entre Cristo e aquela mulher.

“Somos conduzidos por Ele a um poço. Creio que é perceptível que a grande temática deste III Domingo Quaresmal é a da água... A página joanina da Samaritana é riquíssima em sinais e em profundidade. Poderíamos nos delongar horas a fio (o que não vem ao caso). Porém, neste momento - como temos feito nos últimos domingos - detenhamo-nos no significado do ambiente no qual nos põe Jesus: diante do poço”, destacou.

O bispo também recordou que o poço possui forte significado na história bíblica. Foi naquela região que Jacó encontrou Raquel e onde se preservou a memória dos patriarcas de Israel. Assim, o local do encontro entre Jesus e a samaritana carrega um sentido que vai além da geografia.

“Historicamente, foi na atual região da Samaria que Jacó encontrou-se com Raquel, sua futura e amada esposa. Posteriormente, aquele mesmo patriarca comprou aquelas terras, armando ali um altar, denominando-o "El, Deus de Israel" (cf. Gn 33,18ss.). No seu leito de morte, Jacó, no Egito, deu a José, seu filho mais novo, em detrimento aos seus outros filhos, uma porção a mais de terra, na qual estava aquele campo onde, hoje, vemos Jesus a descansar (cf. Gn 48,22)”, trouxe.

Outro aspecto destacado é a humanidade de Cristo, visível quando o Evangelho afirma que Jesus estava cansado da viagem e pede água à mulher. O detalhe do meio-dia indica o momento de maior calor e sede, simbolizando a condição humana que busca ser saciada.

“Jesus está cansado da viagem (cf. Jo 4,6). Aqui - e a partir daqui - temos uma conjugação entre as duas naturezas de Cristo na Sua única Pessoa divina: cansa-se a natureza humana de Jesus porque, essencialmente, subjugada estava a humanidade da qual Jesus, com a Encarnação, tomou a condição. Este realce à humanidade de Jesus vemo-la, ainda, no desenrolar dos momentos subsequentes: "Era por volta do meio-dia. Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: 'Dá-me de beber'" (Jo 4,6-7)”, pregou.

Por fim, Dom Dulcênio lembrou que o poço é lugar de encontro e transformação. No diálogo com a samaritana, Cristo se apresenta como a verdadeira fonte de água viva, capaz de saciar definitivamente a sede humana.

“Ele a verdadeira Fonte de água viva, que, além de satisfazer-nos, faz brotar em nosso interior "olhos d'água" do único curso salutar que é o Cristo mesmo, que jorra em nós para a eternidade (cf. Jo 4,14). "Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre" (Jo 7,37-38). Escutando tal convite, reconheçamos Cristo, e bebendo Dele, sempre Lhe desejemos”, concluiu.

Por: Ascom
Fotos: Pascom Paroquial



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