Segunda Turma do Clero Diocesano Participa do Retiro Espiritual do Anual
Entre os dias 2 e 6 de março de 2026, presbíteros da Diocese de
Campina Grande participaram do retiro espiritual anual do clero, realizado no
Centro Diocesano de Eventos São João XXIII, em Lagoa Seca – PB. O encontro
reuniu o segundo grupo de sacerdotes da diocese para dias de oração, silêncio,
reflexão e convivência fraterna.
O retiro foi conduzido por Dom José Luiz Ferreira Salles, Bispo da
Diocese de Pesqueira, que apresentou reflexões a partir do tema “O Senhor jurou
e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre” (Sl 109). Em suas pregações
e colocações espirituais, o pregador conduziu os participantes a revisitar a
própria vocação sacerdotal e a renovar a fidelidade ao chamado recebido de
Deus.
A programação diária foi marcada pela Liturgia das Horas,
celebração da Eucaristia, momentos de adoração eucarística, conferências
espirituais, confissões e tempos de silêncio e meditação pessoal, favorecendo a
escuta interior própria do tempo quaresmal e fortalecendo a comunhão entre os
presbíteros.
Entre os pontos destacados nas reflexões esteve o convite a
redescobrir o sentido do tempo vivido segundo Deus, superando o ritmo acelerado
e as pressões da vida contemporânea para assumir um estilo de vida marcado pela
escuta, pela oração e pela disponibilidade missionária. Também foi ressaltado
que o presbítero é chamado a ser homem de Deus, da oração, da Palavra e da
Eucaristia, tendo na celebração eucarística a fonte e o centro de toda a vida e
missão pastoral.
As pregações também destacaram a importância da fraternidade
presbiteral, recordando que a comunhão entre os sacerdotes é elemento
constitutivo do ministério e testemunho para o povo de Deus. Nesse contexto, os
participantes foram convidados a recordar a própria ordenação sacerdotal e a
renovar interiormente a entrega feita a Cristo e à Igreja.
O retiro foi concluído na sexta-feira, 6 de março, com a
celebração da missa de encerramento, após dias dedicados ao aprofundamento
espiritual e à renovação da missão pastoral dos presbíteros da Diocese de Campina
Grande.
Por:
Pe. Márcio Henrique
Fotos: Padres participantes
Anexo
Síntese das reflexões proferidas por Dom José Luiz Ferreira
Salles, Bispo de Pesqueira
O presbítero: homem de Deus
As reflexões recordaram que o presbítero é, antes de tudo, um
homem profundamente enraizado em Deus. Sua vida e missão nascem da intimidade
com o Senhor e da fidelidade ao chamado recebido. Mesmo sendo um “vaso de
barro”, como recorda São Paulo, o sacerdote carrega o tesouro do Evangelho e é
chamado a testemunhar a alegria da própria vocação por meio de uma vida
coerente, marcada pela caridade pastoral e pela esperança.
Espiritualidade: garantia de vida e fecundidade
Foi destacado que a espiritualidade é a base que sustenta o
ministério sacerdotal. Para manter viva a chama do “amor primeiro” por Cristo,
o presbítero precisa cultivar a interioridade, cuidar da qualidade de sua vida
espiritual e aprender também com os momentos de provação, as noites, os desertos
e as tempestades que fazem parte da caminhada vocacional.
O presbítero como homem de oração
A oração pessoal foi apresentada como o lugar onde o sacerdote
cuida do coração. Mais do que sentimentos, o coração representa o conjunto das
intenções profundas que orientam a vida e as decisões. Uma oração verdadeira
alcança esse núcleo da existência, purificando motivações e permitindo que o
ministério seja vivido com autenticidade e liberdade interior.
Homem da Palavra de Deus
O sacerdote é chamado a ser, antes de tudo, discípulo e ouvinte da
Palavra. Antes de anunciá-la, precisa deixar-se formar por ela. A pregação
nasce da escuta orante da Escritura e da coerência entre aquilo que se proclama
e aquilo que se vive. O presbítero não é dono da Palavra, mas seu servidor e
mensageiro para o povo de Deus.
A centralidade da Eucaristia
As reflexões sublinharam que a Eucaristia é a fonte e o centro da
vida sacerdotal. Da celebração eucarística nasce a missão pastoral, e nela o
sacerdote aprende a configurar sua própria vida ao sacrifício de Cristo,
tornando-se também oferta em favor do povo de Deus.
O tempo do missionário
Foi proposta uma reflexão sobre o tempo vivido à luz de Deus. O
verdadeiro sentido da vida não está apenas no tempo cronológico (chronos), marcado
pelos relógios, mas sobretudo no kairós, o tempo de Deus, entendido como dom e
oportunidade de graça. O presbítero é chamado a ordenar sua vida segundo esse
tempo divino, evitando a pressa e o ativismo que marcam a cultura
contemporânea, e aprendendo a viver cada momento com atenção, escuta e
disponibilidade pastoral.
Fraternidade presbiteral
Outro aspecto fortemente destacado foi a fraternidade entre os
sacerdotes. O ministério presbiteral não é vivido de forma isolada, mas em
comunhão com os irmãos e com o bispo. A fraternidade presbiteral constitui um
elemento essencial da identidade do sacerdote e um testemunho importante para o
povo de Deus, fortalecendo a missão da Igreja.
Recordar a ordenação sacerdotal
Os participantes foram convidados a recordar os gestos do rito da
ordenação: a promessa de obediência, a imposição das mãos, a oração
consecratória, a unção das mãos e a entrega do pão e do vinho. Esses sinais
recordam que o sacerdócio não é conquista pessoal, mas dom recebido de Deus
para o serviço do povo.
O presbítero como homem mariano
Maria foi apresentada como modelo de confiança e fidelidade. Assim
como a Virgem acolheu os caminhos de Deus mesmo em meio às incertezas, também o
sacerdote é chamado a viver sua vocação com humildade, confiança e abandono nas
mãos do Senhor.
O sacerdote, discípulo a caminho
Por fim, foi recordado que a ordenação não representa um ponto de
chegada, mas o início de um caminho permanente de configuração a Cristo. O
presbítero permanece sempre discípulo, chamado a renovar diariamente sua
entrega a Deus e a servir com generosidade o povo que lhe foi confiado.


































