Segunda Turma do Clero Diocesano Participa do Retiro Espiritual do Anual

Postado em 06/03/26 às 19:0010 minutos de leitura48 views

Entre os dias 2 e 6 de março de 2026, presbíteros da Diocese de Campina Grande participaram do retiro espiritual anual do clero, realizado no Centro Diocesano de Eventos São João XXIII, em Lagoa Seca – PB. O encontro reuniu o segundo grupo de sacerdotes da diocese para dias de oração, silêncio, reflexão e convivência fraterna.

O retiro foi conduzido por Dom José Luiz Ferreira Salles, Bispo da Diocese de Pesqueira, que apresentou reflexões a partir do tema “O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre” (Sl 109). Em suas pregações e colocações espirituais, o pregador conduziu os participantes a revisitar a própria vocação sacerdotal e a renovar a fidelidade ao chamado recebido de Deus.

A programação diária foi marcada pela Liturgia das Horas, celebração da Eucaristia, momentos de adoração eucarística, conferências espirituais, confissões e tempos de silêncio e meditação pessoal, favorecendo a escuta interior própria do tempo quaresmal e fortalecendo a comunhão entre os presbíteros.

Entre os pontos destacados nas reflexões esteve o convite a redescobrir o sentido do tempo vivido segundo Deus, superando o ritmo acelerado e as pressões da vida contemporânea para assumir um estilo de vida marcado pela escuta, pela oração e pela disponibilidade missionária. Também foi ressaltado que o presbítero é chamado a ser homem de Deus, da oração, da Palavra e da Eucaristia, tendo na celebração eucarística a fonte e o centro de toda a vida e missão pastoral.

As pregações também destacaram a importância da fraternidade presbiteral, recordando que a comunhão entre os sacerdotes é elemento constitutivo do ministério e testemunho para o povo de Deus. Nesse contexto, os participantes foram convidados a recordar a própria ordenação sacerdotal e a renovar interiormente a entrega feita a Cristo e à Igreja.

O retiro foi concluído na sexta-feira, 6 de março, com a celebração da missa de encerramento, após dias dedicados ao aprofundamento espiritual e à renovação da missão pastoral dos presbíteros da Diocese de Campina Grande.

Por: Pe. Márcio Henrique
Fotos: Padres participantes

Anexo

Síntese das reflexões proferidas por Dom José Luiz Ferreira Salles, Bispo de Pesqueira

O presbítero: homem de Deus

As reflexões recordaram que o presbítero é, antes de tudo, um homem profundamente enraizado em Deus. Sua vida e missão nascem da intimidade com o Senhor e da fidelidade ao chamado recebido. Mesmo sendo um “vaso de barro”, como recorda São Paulo, o sacerdote carrega o tesouro do Evangelho e é chamado a testemunhar a alegria da própria vocação por meio de uma vida coerente, marcada pela caridade pastoral e pela esperança.

Espiritualidade: garantia de vida e fecundidade

Foi destacado que a espiritualidade é a base que sustenta o ministério sacerdotal. Para manter viva a chama do “amor primeiro” por Cristo, o presbítero precisa cultivar a interioridade, cuidar da qualidade de sua vida espiritual e aprender também com os momentos de provação, as noites, os desertos e as tempestades que fazem parte da caminhada vocacional.

O presbítero como homem de oração

A oração pessoal foi apresentada como o lugar onde o sacerdote cuida do coração. Mais do que sentimentos, o coração representa o conjunto das intenções profundas que orientam a vida e as decisões. Uma oração verdadeira alcança esse núcleo da existência, purificando motivações e permitindo que o ministério seja vivido com autenticidade e liberdade interior.

Homem da Palavra de Deus

O sacerdote é chamado a ser, antes de tudo, discípulo e ouvinte da Palavra. Antes de anunciá-la, precisa deixar-se formar por ela. A pregação nasce da escuta orante da Escritura e da coerência entre aquilo que se proclama e aquilo que se vive. O presbítero não é dono da Palavra, mas seu servidor e mensageiro para o povo de Deus.

A centralidade da Eucaristia

As reflexões sublinharam que a Eucaristia é a fonte e o centro da vida sacerdotal. Da celebração eucarística nasce a missão pastoral, e nela o sacerdote aprende a configurar sua própria vida ao sacrifício de Cristo, tornando-se também oferta em favor do povo de Deus.

O tempo do missionário

Foi proposta uma reflexão sobre o tempo vivido à luz de Deus. O verdadeiro sentido da vida não está apenas no tempo cronológico (chronos), marcado pelos relógios, mas sobretudo no kairós, o tempo de Deus, entendido como dom e oportunidade de graça. O presbítero é chamado a ordenar sua vida segundo esse tempo divino, evitando a pressa e o ativismo que marcam a cultura contemporânea, e aprendendo a viver cada momento com atenção, escuta e disponibilidade pastoral.

Fraternidade presbiteral

Outro aspecto fortemente destacado foi a fraternidade entre os sacerdotes. O ministério presbiteral não é vivido de forma isolada, mas em comunhão com os irmãos e com o bispo. A fraternidade presbiteral constitui um elemento essencial da identidade do sacerdote e um testemunho importante para o povo de Deus, fortalecendo a missão da Igreja.

Recordar a ordenação sacerdotal

Os participantes foram convidados a recordar os gestos do rito da ordenação: a promessa de obediência, a imposição das mãos, a oração consecratória, a unção das mãos e a entrega do pão e do vinho. Esses sinais recordam que o sacerdócio não é conquista pessoal, mas dom recebido de Deus para o serviço do povo.

O presbítero como homem mariano

Maria foi apresentada como modelo de confiança e fidelidade. Assim como a Virgem acolheu os caminhos de Deus mesmo em meio às incertezas, também o sacerdote é chamado a viver sua vocação com humildade, confiança e abandono nas mãos do Senhor.

O sacerdote, discípulo a caminho

Por fim, foi recordado que a ordenação não representa um ponto de chegada, mas o início de um caminho permanente de configuração a Cristo. O presbítero permanece sempre discípulo, chamado a renovar diariamente sua entrega a Deus e a servir com generosidade o povo que lhe foi confiado.



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