Primeiro Domingo da Quaresma: Missa na Catedral e Crisma na cidade de Serra Branca

Atualizado em 22/02/26 às 23:1215 minutos de leitura38 views

No I Domingo da Quaresma, Dom Dulcênio presidiu a Santa Missa na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, reunindo dezenas de fiéis que participaram com devoção deste início do tempo quaresmal. A celebração marcou o chamado da Igreja à conversão, à escuta da Palavra e ao fortalecimento espiritual próprio deste período.

Logo no início da celebração, o bispo reforçou o convite para que todos vivam intensamente este tempo santo, recordando que a Quaresma é ocasião favorável para rever a própria vida e renovar o compromisso com Deus. Dom Dulcênio destacou que a conversão é um caminho contínuo, que exige oração, penitência e caridade.

A Missa contou também com a participação dos dez seminaristas propedêuticos que ingressaram neste ano na etapa inicial da formação sacerdotal. Ao final da celebração, Dom Dulcênio apresentou cada um à comunidade, confiando-os às orações do povo de Deus.

Na ocasião, o bispo evidenciou o papel da OVS – Obra das Vocações Sacerdotais –, destacando que a generosidade dos fiéis tem sido fundamental não apenas para a manutenção, mas sobretudo para a formação dos futuros padres da Igreja Particular de Campina Grande. Dom Dulcênio agradeceu a todos os benfeitores pela doação e exortou aqueles que ainda não contribuem a colaborarem com a Casa Formativa São João Maria Vianney.

Concelebrou a Eucaristia o Padre Luciano Guedes, Pároco da Catedral e Vigário Geral, além do diácono Anderson, que serviu ao altar.

Em sua homilia, o bispo apresentou este tempo como retrato da própria vida cristã: um caminho entre tentações e consolações. A partir da Oração de Coleta, destacou que penitência, oração e caridade são exercícios que nos configuram a Deus e nos conduzem à santidade.

Recordando Jó e Salomão, o bispo evidenciou a fragilidade humana: formados do pó, mas vivificados pelo sopro de Deus. A grandeza do homem está na graça que recebe, não em si mesmo. Mesmo breve e inquieta, a vida é marcada por um chamado à eternidade. A Quaresma reacende essa consciência de origem e destino.

“O Senhor Deus formou o homem do pó da terra” (Gn 2,7); entretanto, deixa-nos aberta a janela da esperança de uma grandeza única e imortal: “[...] soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente” (Ibidem); isso porque a grandeza do homem - a sua força - está no que vem do mais profundo de Deus; está na graça. O homem é chamado a ser agraciado”, trouxe.

Ao meditar o relato do Gênesis, Dom Dulcênio ressaltou que toda tentação nasce do desejo de autonomia sem Deus. Em Eva, vemos refletidas as vezes em que cedemos ao que seduz os olhos e enfraquece o amor.

“Soçobra o ser humano quando deseja o que é alheio de Deus, de maneira que todo e qualquer pecado é desobediência, fruto de pouco amor para com Deus. A desobediência leva-nos a desprezar os atrativos que somente o Senhor tem para nós, promotores de vida e de felicidade, já neste mundo para a eternidade, para a plenitude”, disse.

Contudo, Cristo é a resposta definitiva. Conduzido ao deserto, vence as tentações e nos ensina os remédios quaresmais: oração contra a soberba, jejum contra a desordem dos desejos e caridade contra o egoísmo. Nele, a graça é mais forte que o pecado.

“Em Cristo - triunfante sobre Satanás no deserto, na Cruz e sempre - temos a vera ciência clara de que é possível vencermos o maligno. E por mais que o pecado insista em estabelecer um ciclo perigosamente vicioso, o poder da graça de Deus e do bem que ela produz possui consequências maiores, eternas”.

Por fim, o bispo reafirmou que a vitória de Jesus se prolonga na vida dos fiéis. Assim como os anjos O serviram após a provação, também somos assistidos por Deus quando Lhe permanecemos fiéis.

“Jesus mostra-nos a força da graça, a Sua assistência constante à humanidade sempre alvejada pelos dardos das tentações. “Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus” (Mt 4,11): isso também acontece conosco; Deus fortalece-nos; Deus assiste-nos; Deus consola-nos. Sejamos-Lhe fiéis, e o mais Ele fará”, findou.

Missa e Crisma na Paróquia de N. S. da Conceição, em Serra Branca

Ainda neste domingo, à tarde, Dom Dulcênio esteve em Serra Branca, onde presidiu a Missa com Crisma na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, reunindo a comunidade paroquial em clima de fé e alegria.

Na ocasião, 132 jovens receberam o Sacramento da Confirmação, sendo fortalecidos pelo dom do Espírito Santo. Familiares, padrinhos e fiéis acompanharam este passo decisivo na caminhada cristã dos crismandos.

O bispo recordou que a Crisma é envio para a missão, exortando os jovens a permanecerem firmes na fé e comprometidos com a vida da Igreja. Concelebrou a Eucaristia o Pároco, Padre Joselito, que agradeceu a presença do bispo e a confirmação na fé dos jovens.

Homilia

O bispo refletiu sobre o deserto como imagem da vida cristã. Recordando que é o Espírito Santo quem conduz Jesus ao deserto, destacou que esse movimento aponta para algo maior: o verdadeiro deserto é o mundo.

“o grande deserto para o qual o Espírito Santo moveu Jesus é o mundo. E, assim, vamos conjugando esta analogia figurativa entre deserto e mundo, ao que vemos que o grande passo de Cristo, Daquele que é o Ungido por excelência pelo Espírito Santo, rumo ao deserto é o da Sua Encarnação”, refletiu,

O bispo afirmou que também nós peregrinamos neste deserto, rumo à Pátria definitiva. Não caminhamos sozinhos: Deus nos guia, sustenta e alimenta.

“Nós também estamos no deserto. Aqui, peregrinamos quão povo que busca - inclusive entre dificuldades - uma meta, uma chegada, que é o próprio Deus e a Pátria dos Bem-Aventurados. Não estamos sozinhos, não caminhamos desprotegidos: "O Povo de Deus no deserto andava. Mas, à sua frente, Alguém caminhava…", tal como, cordialmente, entoamos”, disse.

Dom Dulcênio também destacou o deserto como espaço de ilusões e decisões. As tentações são como miragens que prometem satisfação, mas não preenchem o coração. Cabe ao homem decidir entre repetir a escolha de Adão, ou a de Cristo.

“As miragens ilusórias do mundo são muito bem representadas pelas falsas e astuciosas promessas do demônio, tanto na Primeira Leitura (cf. Gn 2,7-9.3,1-7) quanto no Evangelho de hoje. Entretanto, não nos olvidemos de que, neste ermo em que estamos, encontramos oásis: o próprio Deus, que nos consola, que nos restaura. Na Liturgia da Palavra, temos dois tipos de reflexões que geram decisões diversas: a de Adão e Eva, geradora de morte e a transmite; e a de Cristo, que gera vida e a irradia, vivificando”, destacou.

Por fim, apresentou o deserto como lugar de solidão fecunda. Se habitada por Deus, a solidão torna-se encontro e crescimento espiritual. A travessia neste mundo é dom e prova: nela, somos chamados a carregar apenas o essencial e a decidir-nos firmemente por Deus.

“Se estamos com Deus no deserto, entendemos, convictamente, que o mundo é lugar de nos encontrarmos com Ele, ainda que este encontro não seja pleno, pois o será apenas após esta travessia, e durará para todo o sempre; que estar no mundo é ocasião de progredirmos no conhecimento de Jesus Cristo e correspondermos a Seu amor por uma vida santa, tal como rezávamos na Oração de Coleta”, concluiu.

Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral e Serra Branca



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