Primeiro Domingo da Quaresma: Missa na Catedral e Crisma na cidade de Serra Branca
No
I Domingo da Quaresma, Dom Dulcênio presidiu a Santa Missa na Catedral
Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, reunindo dezenas de fiéis que
participaram com devoção deste início do tempo quaresmal. A celebração marcou o
chamado da Igreja à conversão, à escuta da Palavra e ao fortalecimento
espiritual próprio deste período.
Logo
no início da celebração, o bispo reforçou o convite para que todos vivam
intensamente este tempo santo, recordando que a Quaresma é ocasião favorável
para rever a própria vida e renovar o compromisso com Deus. Dom Dulcênio
destacou que a conversão é um caminho contínuo, que exige oração, penitência e
caridade.
A
Missa contou também com a participação dos dez seminaristas propedêuticos que
ingressaram neste ano na etapa inicial da formação sacerdotal. Ao final da
celebração, Dom Dulcênio apresentou cada um à comunidade, confiando-os às
orações do povo de Deus.
Na
ocasião, o bispo evidenciou o papel da OVS – Obra das Vocações Sacerdotais –,
destacando que a generosidade dos fiéis tem sido fundamental não apenas para a
manutenção, mas sobretudo para a formação dos futuros padres da Igreja
Particular de Campina Grande. Dom Dulcênio agradeceu a todos os benfeitores
pela doação e exortou aqueles que ainda não contribuem a colaborarem com a Casa
Formativa São João Maria Vianney.
Concelebrou
a Eucaristia o Padre Luciano Guedes, Pároco da Catedral e Vigário Geral, além
do diácono Anderson, que serviu ao altar.
Em
sua homilia, o bispo apresentou este tempo como retrato da própria vida cristã:
um caminho entre tentações e consolações. A partir da Oração de Coleta,
destacou que penitência, oração e caridade são exercícios que nos configuram a
Deus e nos conduzem à santidade.
Recordando Jó e Salomão, o bispo evidenciou a fragilidade humana:
formados do pó, mas vivificados pelo sopro de Deus. A grandeza do homem está na
graça que recebe, não em si mesmo. Mesmo breve e inquieta, a vida é marcada por
um chamado à eternidade. A Quaresma reacende essa consciência de origem e
destino.
“O Senhor Deus formou o homem do pó da terra” (Gn 2,7);
entretanto, deixa-nos aberta a janela da esperança de uma grandeza única e
imortal: “[...] soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um
ser vivente” (Ibidem); isso porque a grandeza do homem - a sua força - está no
que vem do mais profundo de Deus; está na graça. O homem é chamado a ser agraciado”,
trouxe.
Ao
meditar o relato do Gênesis, Dom Dulcênio ressaltou que toda tentação nasce do
desejo de autonomia sem Deus. Em Eva, vemos refletidas as vezes em que cedemos
ao que seduz os olhos e enfraquece o amor.
“Soçobra o ser humano quando deseja o que é alheio de Deus, de
maneira que todo e qualquer pecado é desobediência, fruto de pouco amor para
com Deus. A desobediência leva-nos a desprezar os atrativos que somente o
Senhor tem para nós, promotores de vida e de felicidade, já neste mundo para a
eternidade, para a plenitude”, disse.
Contudo, Cristo é a resposta definitiva. Conduzido ao deserto,
vence as tentações e nos ensina os remédios quaresmais: oração contra a
soberba, jejum contra a desordem dos desejos e caridade contra o egoísmo. Nele,
a graça é mais forte que o pecado.
“Em Cristo - triunfante sobre Satanás no deserto, na Cruz e sempre
- temos a vera ciência clara de que é possível vencermos o maligno. E por mais
que o pecado insista em estabelecer um ciclo perigosamente vicioso, o poder da
graça de Deus e do bem que ela produz possui consequências maiores, eternas”.
Por fim, o bispo reafirmou que a vitória de Jesus se prolonga na
vida dos fiéis. Assim como os anjos O serviram após a provação, também somos
assistidos por Deus quando Lhe permanecemos fiéis.
“Jesus
mostra-nos a força da graça, a Sua assistência constante à humanidade sempre
alvejada pelos dardos das tentações. “Então o diabo o deixou. E os anjos se
aproximaram e serviram a Jesus” (Mt 4,11): isso também acontece conosco; Deus
fortalece-nos; Deus assiste-nos; Deus consola-nos. Sejamos-Lhe fiéis, e o mais
Ele fará”, findou.
Missa
e Crisma na Paróquia de N. S. da Conceição, em Serra Branca
Ainda
neste domingo, à tarde, Dom Dulcênio esteve em Serra
Branca, onde presidiu a Missa com Crisma na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição,
reunindo a comunidade paroquial em clima de fé e alegria.
Na ocasião, 132 jovens receberam o Sacramento da Confirmação,
sendo fortalecidos pelo dom do Espírito Santo. Familiares, padrinhos e fiéis
acompanharam este passo decisivo na caminhada cristã dos crismandos.
O bispo recordou que a Crisma é envio para a missão, exortando os
jovens a permanecerem firmes na fé e comprometidos com a vida da Igreja. Concelebrou
a Eucaristia o Pároco, Padre Joselito, que agradeceu a presença do bispo e a
confirmação na fé dos jovens.
Homilia
O
bispo refletiu sobre o deserto como imagem da vida cristã. Recordando que é o
Espírito Santo quem conduz Jesus ao deserto, destacou que esse movimento aponta
para algo maior: o verdadeiro deserto é o mundo.
“o grande deserto para o qual o Espírito Santo moveu Jesus é o
mundo. E, assim, vamos conjugando esta analogia figurativa entre deserto e
mundo, ao que vemos que o grande passo de Cristo, Daquele que é o Ungido por
excelência pelo Espírito Santo, rumo ao deserto é o da Sua Encarnação”,
refletiu,
O bispo afirmou que também nós peregrinamos neste deserto, rumo à
Pátria definitiva. Não caminhamos sozinhos: Deus nos guia, sustenta e alimenta.
“Nós também estamos no deserto. Aqui, peregrinamos quão povo que
busca - inclusive entre dificuldades - uma meta, uma chegada, que é o próprio
Deus e a Pátria dos Bem-Aventurados. Não estamos sozinhos, não caminhamos
desprotegidos: "O Povo de Deus no deserto andava. Mas, à sua frente,
Alguém caminhava…", tal como, cordialmente, entoamos”, disse.
Dom Dulcênio também destacou o deserto como espaço de ilusões e
decisões. As tentações são como miragens que prometem satisfação, mas não
preenchem o coração. Cabe ao homem decidir entre repetir a escolha de Adão, ou
a de Cristo.
“As miragens ilusórias do mundo são muito bem representadas pelas
falsas e astuciosas promessas do demônio, tanto na Primeira Leitura (cf. Gn
2,7-9.3,1-7) quanto no Evangelho de hoje. Entretanto, não nos olvidemos de que,
neste ermo em que estamos, encontramos oásis: o próprio Deus, que nos consola,
que nos restaura. Na Liturgia da Palavra, temos dois tipos de reflexões que
geram decisões diversas: a de Adão e Eva, geradora de morte e a transmite; e a
de Cristo, que gera vida e a irradia, vivificando”, destacou.
Por fim, apresentou o deserto como lugar de solidão fecunda. Se
habitada por Deus, a solidão torna-se encontro e crescimento espiritual. A
travessia neste mundo é dom e prova: nela, somos chamados a carregar apenas o
essencial e a decidir-nos firmemente por Deus.
“Se
estamos com Deus no deserto, entendemos, convictamente, que o mundo é lugar de
nos encontrarmos com Ele, ainda que este encontro não seja pleno, pois o será
apenas após esta travessia, e durará para todo o sempre; que estar no mundo é
ocasião de progredirmos no conhecimento de Jesus Cristo e correspondermos a Seu
amor por uma vida santa, tal como rezávamos na Oração de Coleta”, concluiu.
Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral e Serra Branca






















































