XXII Domingo do Tempo Comum: Missa na Catedral e no Santuário do Sagrado Coração de Jesus
Celebrando o 22º Domingo do Tempo Comum, neste domingo, 30 de
agosto; quinto e último domingo de agosto, dedicado de modo especial ao Dia dos
Catequistas, Dom Dulcênio Fontes de Matos, Bispo Diocesano de Campina Grande,
presidiu duas celebrações: pela manhã, na Catedral Diocesana, e, à noite, no
Santuário do Sagrado Coração de Jesus, no bairro do Catolé.
Pela manhã, a tradicional Missa do Lar, celebrada na Catedral de
Nossa Senhora da Conceição, reuniu a comunidade em torno do altar. A celebração
foi concelebrada pelo Pároco, Padre Evanilson Souza, com a presença do diácono
Ricardo e seminaristas. Em sintonia com o encerramento do Mês Vocacional e a
celebração do Dia dos Catequistas, Dom Dulcênio elevou sua oração por todos
aqueles que dedicam seu tempo e sua vida à missão de anunciar e transmitir a
fé, recordando a importância desses homens e mulheres na formação cristã de
crianças, jovens e adultos.
Homilia
Dom Dulcênio refletiu sobre a atitude de Pedro ao tentar afastar
Jesus do caminho da Cruz. Para o bispo, o episódio mostra como o ser humano
pode colocar seus próprios critérios acima da vontade de Deus.
“É quando nos invade o relativismo, preenchendo as mentes
desatentas ao Evangelho e àquilo que Deus pede de nós. Estas realidades
traiçoeiras, que minaram a ascese de Pedro e minam a nossa, vêm estampadas no
Evangelho de hoje pela seguinte observação do Senhor, pela denúncia: “[...] não
pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” (Ibidem). Quantas
vezes queremos ser os “mestres” de Deus, ensinando Àquele que é a Fonte da
sabedoria, a própria Sabedoria (cf. Sb 7,22)?”, refletiu.
A partir da experiência de Jeremias, Dom Dulcênio destacou que a
fidelidade ao Senhor exige perseverança, inclusive diante das dificuldades e
incompreensões. O amor a Deus, segundo ele, também implica disposição para
renunciar e permanecer firme na missão.
“O Profeta Jeremias, como ouvimos na Primeira Leitura (cf. Jr
20,7-9), também sentiu na pele o constrangimento causado pelos planos
divinos... Porém, antes, confessou que atravessava tudo aquilo por amor:
“Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais
poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim” (Jr 20,7).
E, quando a gente ama, não fica reticente em querer sofrer por quem ama”,
destacou.
Ao recordar o convite de Jesus para tomar a própria cruz e
segui-Lo, o bispo ressaltou que o sofrimento vivido com Cristo participa do
mistério da salvação. Por isso, o cristão é chamado a não se conformar com a
lógica do mundo, mas a oferecer a própria vida a Deus.
“com os nossos sofrimentos pessoais participamos do mistério do
amor salvífico de Deus. Por isso, à repreensão de Pedro, Jesus emendou: “Se
alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois,
quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa
de mim, vai encontrá-la. De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro,
mas perder a sua vida?” (Mt 16,24-26)”.
Ao concluir, Dom Dulcênio lembrou que a Cruz é caminho para a
Ressurreição e para a glória. Assim, convidou os fiéis a confiarem na vontade
de Deus e a permanecerem unidos a Cristo em todas as circunstâncias da vida.
“Se participamos da Cruz do Senhor no momento em que vivemos neste
mundo, participaremos eternamente “da glória do seu Pai, com os seus anjos”
(Ibidem). Para tanto, de ascensão em ascensão, desvencilhemo-nos da lógica
insana deste mundo para abraçarmos a misteriosa e, em tudo, benéfica vontade do
Senhor”, concluiu.
Missa com Crisma no Santuário do Sagrado Coração
À noite, o Bispo Diocesano esteve na Paróquia e Santuário do Sagrado
Coração de Jesus, no Catolé, onde presidiu a Santa Missa com a administração do
Sacramento da Crisma. Foram 105 jovens que receberam o Sacramento da
Confirmação e deram mais um passo em sua caminhada de fé. Ao lado deles estavam
padrinhos, familiares e toda a comunidade.
Dom Dulcênio, os crismandos, padrinhos, familiares e fiéis foram
acolhidos pelo Pároco e Reitor do Santuário, Padre Márcio Henrique, que
concelebrou a Eucaristia e, no fim da celebração, agradeceu ao bispo pela
presidência da celebração, confirmando todos na fé. O prelado parabenizou os
crismados e os catequistas pela dedicação e missão para com esses jovens.
Homilia
Dom Dulcênio refletiu sobre a declaração de Jeremias:
“Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir”. Para o bispo, o amor a Deus
envolve também a disposição de enfrentar incompreensões e sofrimentos por causa
da fé, tendo em Cristo o modelo de fidelidade.
“Jeremias preconiza o próprio Cristo em Seus sofrimentos rumo à
Cruz; o Cristo é o modelo para todos os cristãos, inclusive de amor e de
paciência ante as perseguições sofridas por causa do Evangelho da Salvação. Ele
mesmo, fonte de toda a bem-aventurança, a partir de Si, nos felicitará:
“Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem
falsamente todo o mal contra vós por causa de mim...”, refletiu.
A homilia também destacou a atitude de Pedro, chamado por Jesus de
“pedra de tropeço” quando passou a pensar segundo os critérios humanos. Dom
Dulcênio explicou que o cristão precisa deixar-se conduzir por Deus.
“A nossa capacidade de ouvir, comprometidamente ou não, nos
qualificará que tipo de pedra somos: de erguimento ou de tropeço. Ser de
erguimento ou de tropeço reflete, necessariamente, a nossa condição diante de
Deus: se Lhe somos submissos pela fé ou se queremos Lhe dá ordens,
ensinando-Lhe, pretensiosamente, a maneira de como conduzir as coisas”,
destacou.
Ao aprofundar essa reflexão, o bispo alertou para a tentação de
abandonar o testemunho cristão diante das críticas e perseguições. Para ele, a
fidelidade ao Evangelho exige coragem para permanecer de acordo com Deus, mesmo
quando isso contraria a lógica do mundo.
“Nunca nos esqueçamos: “Importa obedecer antes a Deus do que aos
homens” (At 5,29), como, amadurecido pela escuta de Deus e fortalecido pelo
poder de Sua mão (cf. Sl 62,9), respondeu ao Sinédrio Pedro – o mesmo que,
anteriormente, quis corrigir a ninguém mais ou ninguém menos do que ao próprio
Deus (cf. Mt 16,22), repreendendo-O. Não queiramos ser reprovados por Deus e
aplaudidos pelo mundo”.
Por fim, Dom Dulcênio recordou que o discípulo não é maior que o
Mestre e, por isso, também pode experimentar rejeição e sofrimento por causa da
fé. Em união com Cristo, essas experiências podem transformar-se em uma oferta
de amor a Deus, vivida como verdadeiro culto espiritual.
“Se nos rejeitam e ridicularizam por causa da nossa fé e por tudo
o que ela contém, é porque, antes, ridicularizam o seu Autor (cf. Lc 10,16).
Então, que no nosso incompreendido e sofrido testemunho, celebremos o nosso
culto espiritual, oferecendo-nos a Deus em sacrifício de amor, tal como o
Cristo; e, Nele, sejamos oblações vivas, puras e santas, como nos exortou o
Apóstolo (cf. Rm 12,1). Per Ipsum, cum Ipso et in Ipso… (Por Cristo, com Cristo
e em Cristo…)”, findou.
Por:
Ascom
Fotos: Pascom Catedral e Santuário

















































